Sobral de Monte Agraço é uma vila portuguesa no distrito de Lisboa e integrada na Comunidade Intermunicipal do Oeste, com uma pequena população de cerca de 3.000 habitantes.
É sede do pequeno município de Sobral de Monte Agraço com 52 km² de área e 10.500 habitantes (2021), subdividido em 3 freguesias: Santo Quintino, Sapataria e Sobral de Monte Agraço.
O município é limitado a Norte pelo município de Torres Vedras, a Nordeste por Alenquer, a este e Sudeste por Arruda dos Vinhos e a Sudoeste e Oeste por Mafra.
O mais antigo documento que se conhece relativamente ao concelho de Sobral de Monte Agraço é datado de 1 de Outubro de 1186, sendo uma carta de doação do rei D. Sancho I ao bispo de Évora, D. Paio, do reguengo do Soveral. Logo se começou a desenvolver um agregado populacional neste reguengo, junto à Igreja de São Salvador e dos Passos.
A população mais importante começou a desenvolver-se no reguengo de Monte Agraço, junto à Capela de São Salvador do Mundo, zona atualmente denominada de Cachimbos – Santo Quintino. Este aglomerado manteve-se até meados do século XVI, bem como os edifícios públicos, que só nessa altura foram deslocados para a zona onde atualmente se encontra a Vila de Sobral de Monte Agraço.
Em 1386, D. João I atribuiu “carta de privilégio” a este concelho, em recompensa do seu papel ativo durante o cerco de Torres Vedras.
A posse de Monte Agraço permaneceu nas mãos episcopais de Évora até à fundação do Colégio do Espírito Santo e Universidade.
Em 1518, o Rei D. Manuel I atribui o Foral a Monte Agraço.
Em 1561, D. Henrique conseguiu bula de Pio IV para unir o concelho de Monte Agraço ao Colégio e Universidade e separá-lo do episcopado de Évora.
Após a expulsão dos Jesuítas de Portugal, imposta por D. José I, em 1759 e a confiscação dos seus bens, o Senhorio de Monte Agraço voltou para a Coroa. No ano de 1770, Joaquim Inácio da Cruz, fidalgo da Casa Real, arrematou em hasta pública os bens e os direitos do reguengo.
Sobral de Monte Agraço foi oferecida como Senhorio Honorífico em 1771, por D. José I a Joaquim Inácio da Cruz, Tesoureiro-Mor do Erário Régio, que adotou então o sobrenome “Sobral”.
Os seus descendentes foram feitos, sucessivamente Barões, Viscondes e Condes de Sobral.
Joaquim Inácio da Cruz mandou construir um conjunto de infraestruturas a vila de Sobral de Monte Agraço não possuía nesse tempo. Para além do Solar da Família Sobral, mandou edificar a Casa da Câmara e a cadeia, o chafariz, a praça pública, de traça pombalina, estradas e pontes.
Durante a Guerra Peninsular, Sobral de Monte Agraço estava integrada nas Linhas de Torres. Em Outubro de 1810, o Exército Francês liderado por André Massena aproximou-se das Linhas, verificando que os Portugueses tinham submetido a área defronte das mesmas a uma política de terra queimada. Depois de uma escaramuça em Sobral de Monte Agraço, no dia 14 de Outubro, os Franceses aperceberam-se que não conseguiriam avançar mais.
No episódio da terceira invasão francesa, Sobral de Monte Agraço teve um papel decisivo ao travar a progressão das tropas francesas a caminho de Lisboa, nomeadamente através dos combates de Sobral e Seramena e do Forte Grande do Alqueidão.
A vila de Sobral de Monte Agraço foi elevada a sede de Concelho em 1821. O Concelho foi extinto em 1832 e restaurado em 1836, passando a abranger, também, a freguesia de S. Quintino que até aí pertencia a Lisboa.
A 10 de Fevereiro de 1887 é decretada a transferência da sede do concelho de Arruda para Sobral de Monte Agraço.
Eventos
Festa e Feira de Verão: realizada todos os anos em Setembro, podemos assistir a corridas e largadas de touros, concertos, exposições, feira de artesanato, quermesse, música, teatro, entre outros.
As festas têm como ponto alto as largadas e concertos na Praça Dr. Eugénio Dias.
As tradicionais Tasquinhas decorrem em outubro.
As Festas da Vila são festas cívicas denominadas desde o início de Festas e Feira de Verão. Foram criadas em 1912 pela Câmara Municipal e só tiveram programa escrito em 1913.
O Bodo de São Brás realiza-se a 3 de Fevereiro, com carros de bois com toldo que levavam as carnes e o pão para serem benzidos na Igreja do Salvador e posteriormente distribuídos pelos mais carenciados.
Tradições
Como equipamento Cultural destaca-se o Cineteatro de Sobral de Monte Agraço, construído em 1945.
Em setembro realizam-se no Sobral as festas de verão que incluem um cortejo histórico e etnográfico, diversas exposições, festivais de música, vários espetáculos e jogos tradicionais. Em Almargem realiza-se a feira de Todos os Santos (1 de novembro) e por todo o concelho ocorrem várias festas populares.
O feriado municipal ocorre na quinta-feira de Ascensão.
No artesanato destacam-se a azulejaria e a cerâmica artística, a pintura em porcelana, os cestos de vime, a cutelaria, os bonecos de trapo, a latoaria e o barro decorado.
Gastronomia
A Fritada é um prato típico composto por carne de porco frita acompanhada por batatas cortadas aos cubos, também fritas. Tradicionalmente, a fritada é confecionada em recipientes de barro sobre o lume de lenha.
A Uvada é um doce que se confeciona durante a época das vindimas, em setembro e/ou outubro. Não leva açúcar porque é feita com a redução do mosto da uva com maior grau, usualmente uva das castas Fernão Pires, Periquita ou Santarém. A esta redução junta-se canela e pero Bravo Esmolfe.
O Bolo de Perna é também conhecido na região Oeste como bolo de ferradura, bolo de casamento, bolo de noivos, bolo dos leilões e parrameiro. Estes nomes referem-se ou à forma final do bolo ou a práticas culturais onde era indispensável a presença deste tipo de bolo – feito com massa maciça, mas fofa que se modela como se fosse barro e que é aromatizada com raspa de limão (algumas massas levam erva-doce e/ou canela, apenas os denominados parrameiros levam erva-doce).
