Caldas da Rainha é uma cidade repleta de lendas e história. Segundo a lenda, por volta de 1484, a Rainha D. Leonor, esposa de D. João II, viajava pela região. Encontrou um grupo de pessoas a banhar-se em águas quentes e sulfurosas e, depois de vários relatos, ficou a perceber as propriedades curativas, levando a própria Rainha a banhar-se nas mesmas águas. O resultado desta lenda deu origem à construção do famoso Hospital Termal das Caldas da Rainha, em 1485. É considerado um dos mais antigos hospitais termais do mundo ainda em funcionamento. Foi um contributo para o desenvolvimento da cidade, atraindo muitos visitantes e doentes que procuravam tratamento para várias enfermidades.
Podemos ainda encontrar nesta bela cidade do Oeste o magnífico parque D. Carlos l, com o seu jardim romântico que passou pelas mãos do arquiteto caldense Rodrigo Berquó, que revitalizou o parque com a criação do lago artificial e de alamedas arborizadas, tornando-o num dos mais ricos em biodiversidade do país. Podemos ainda encontrar no seu interior o museu José Malhoa construído na década de 1940.
Caldas da Rainha é também a cidade das artes, tendo aquela que é considerada a melhor escola de artes do país.
Outro marco histórico da cidade foi o desenvolvimento da cerâmica artística, destacando-se Rafael Bordalo Pinheiro, que no final do século XIX fundou a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha com a ajuda de Ramalho Ortigão, famosa pelas suas peças humorísticas e naturalistas, como os Zé Povinho e as loiças decoradas com couves e andorinhas. Atualmente, a loja do Bordalo e fábrica foram adquiridas pelo grupo Visabeira que as dinamizou e abriu permanentemente o espaço visitado diariamente por centenas de turistas nacionais e estrangeiros que ali se deliciam a ver e comprar peças para embelezar as suas casas.
Prova do legado de Bordalo é a homenagem que se lhe presta pelas ruas. Espalhadas pela cidade, obras escultóricas à escala humana, tiradas do vasto imaginário do artista, surpreendem os transeuntes, naquela que se trata de uma verdadeira Rota Bordaliana, uma das formas mais divertidas de conhecer o centro das Caldas.
Pode ainda visitar os ateliers dos ceramistas caldenses e ter uma experiência única, trabalhando o barro e levando consigo um pouco das Caldas da Rainha.
No coração da cidade, encontramos a Praça da República, também conhecida como Praça da Fruta. Com inícios que remontam ao século XV, este colorido mercado ao ar livre realiza-se diariamente. É montra da rica produção agrícola e gastronómica da região e local privilegiado para observar a Arte Nova nas Caldas. As fachadas românticas de azulejos circundam esta vibrante praça, que alberga ainda o histórico Café Central e a Capela de São Sebastião. Os interessados da Arte Nova, podem partir da praça para a Rua Dr. Miguel Bombarda, para poder apreciar mais exemplos deste movimento fazendo o Roteiro da Arte Nova.
Já para os amantes do ar livre, encontram-se na Mata Rainha D. Leonor, criada para proteger as nascentes de água termal que abasteciam o Hospital, um local repleto de beleza natural, com as suas árvores imponentes e 17 hectares de ar puro e caminhadas refrescantes.
Passando à gastronomia, esta apresenta duas grandes características. Por um lado, a riqueza da sua doçaria, que inclui a influência conventual, da qual as Trouxas das Caldas são exemplo e as Cavacas e os Beijinhos. Por outro, a riqueza marinha dos seus pratos típicos, pela proximidade da Lagoa de Óbidos, que se mostra nas caldeiradas, no ensopado de enguia e nos mariscos.
Eventos
Feira dos Frutos (Agosto) – Feira anual com origem no século XV, com artesanato, gastronomia e espetáculos.
Festival Caldas Late Night – Evento artístico e cultural promovido por estudantes da ESAD.CR.
Mercado do Peixe e Mercado da Fruta – Mercados tradicionais que refletem a identidade local.
Carnaval das Caldas – Festa popular com desfiles e sátira política e social.
Tradições
Termalismo – Forte tradição ligada às águas termais e ao Hospital Termal, um dos mais antigos do mundo.
Cerâmica das Caldas – A cerâmica das Caldas da Rainha desenvolveu-se devido aos solos ricos em argila, evidentes na toponímia do Bombarral (“barral” significa barreiro).
A produção começou nos anos 1820 com D. Maria dos Cacos, caracterizada por peças utilitárias monocromáticas. Em meados do século XIX, Manuel Cipriano Gomes Mafra inovou o setor, seguido por Rafael Bordalo Pinheiro, que levou a cerâmica caldense ao auge.
A “louça das Caldas” inclui vários estilos:
- Utilitária (ex.: louça de cozinha simples ou naturalista, com formas de folhas e alimentos)
- Decorativa
- Humorística/Peculiar
- Erótica
- Caricaturista (ex.: figuras estereotipadas como o “Zé Povinho”, símbolo do povo português)
Gastronomia
Cavacas das Caldas – Doce tradicional, uma espécie de biscoito crocante com cobertura de açúcar.
Beijinhos das Caldas – Outro doce típico, semelhante às cavacas, mas mais pequeno.
Peixes e mariscos da Lagoa de Óbidos – Especialidades de marisco e peixe fresco devido à proximidade da Lagoa.
