A origem de Alcobaça remonta à época dos celtiberos, passando pelos romanos, que a fundaram com o nome de “Helcobatiae”. É, contudo, no Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, fundado pelos Monges de Cister, que Alcobaça encontra as suas raízes mais profundas.
A cidade tem uma ligação profunda com D. Pedro e Inês de Castro, cuja trágica história de amor está gravada na tradição local, especialmente no Mosteiro.
O Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça é a maior igreja de Portugal e exibe uma arquitetura medieval simples e elegante. Foi fundado em 1178, pela Ordem de Cister, para cumprir o voto feito pelo primeiro rei do país, Dom Afonso Henriques, que quis doar a estes monges uma abadia imponente.
O mosteiro foi terminado em 1223 mas, posteriormente, outros monarcas continuaram a embelezá-lo, como o rei Dom Dinis, que mandou construir o claustro principal, de linhas requintadas, mas mantendo a sobriedade exigida pelos cistercienses.
O monumento foi declarado Património Mundial pela UNESCO e nele também se encontram os túmulos, ricamente ornamentados, do rei Dom Pedro e da sua amante assassinada, Inês de Castro.
Afonso Henriques doou aos monges Cistercienses, a 8 de Abril de 1153, as terras de Alcobaça, com a obrigação de as arrotearem. As doações feitas ao longo dos diversos reinados vieram a constituir um vastíssimo território.
Os monges de Cister chegaram a ser senhores de 14 vilas, das quais 4 eram portos de mar: Alfeizerão, São Martinho do Porto, Pederneira e Paredes da Vitória.
Além da sua atividade religiosa e cultural, os monges de Alcobaça desenvolveram uma ação colonizadora notável e perdurável, ensinando técnicas agrícolas e pondo em prática inovações experimentadas noutros mosteiros, graças às quais arrotearam terras introduziram culturas adequadas a cada terreno. Organizaram explorações ou quintas, a que chamavam granjas, criando, praticamente a partir do nada, uma região agrícola que se manteve até aos nossos dias como uma das mais produtivas de Portugal.
A cidade de Alcobaça recebeu foral de D. Manuel I em 1514. As outras 13 vilas receberam forais na mesma época.
Em 1567, o mosteiro de Alcobaça separou-se de Cister, a casa-mãe em França, para se tornar cabeça da Congregação Portuguesa, por bula do Papa Pio V.
Em meados do século XVII, a maioria das terras dos coutos de Alcobaça pertencia já aos habitantes das vilas e dos seus concelhos.
Do Património edificado faz parte também o Castelo de Alcobaça, que remonta ao período visigótico. Terá sido conquistado pelos mouros no século VIII e, posteriormente, por D. Afonso Henriques, em 1148. Após o abandono da função como castelo, serviu como prisão.
Entrou em estado de degradação devido a sucessivos terramotos.
No século XIX, a quase totalidade das pedras da sua muralha foram vendidas pelo Município para a construção de casas particulares. Encontra-se hoje em ruínas.
O município alcobacense é rico em património Natural policêntrico, possuindo, para além da cidade de Alcobaça, as vilas da Benedita, de São Martinho do Porto, de Alfeizerão, da Cela, de Pataias e de Aljubarrota e respetivas freguesias, como centros de referência.
Parte da zona oriental do município está inscrita no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (freguesias de Aljubarrota, Évora e Turquel).
O município conta com zona litoral nas freguesias de Pataias, a norte, e São Martinho do Porto, a sul. Todo o litoral é constituído por arribas, a maioria delas com uma pequena praia na base. A exceção é a concha de São Martinho do Porto, uma baía natural ladeada por dois promontórios de rocha.
Eventos
A cidade tem diversos eventos culturais, como o Festival de Guitarra de Alcobaça, que celebra a música tradicional portuguesa. Os vários eventos que decorrem ao longo do ano são:
Carnaval de Alcobaça “Folia & Algazarra”;
Palco no Rossio Mercado do Século XIX;
Festival Cistermúsica;
Aljubarrota Medieval;
Triatlo São Martinho do Porto;
Feira de São Bernardo;
Mostra Internacional de Doces e Licores Conventuais;
Passagem de Ano São Martinho do Porto.
Praias de Alcobaça:
Água de Madeiros;
Pedra do Ouro;
Polvoeira;
Paredes da Vitória;
Vale Furado;
Légua;
Falca;
Gralha São Martinho do Porto.
Economia
Alcobaça tem uma economia diversificada. As principais atividades económicas de Alcobaça incluem:
- Agricultura e Agropecuária: a região é conhecida pela produção agrícola, com destaque para a fruticultura, em especial a Maçã de Alcobaça e para a Pera-rocha do Oeste; hortícolas, azeite e vinho; a criação de gado também é relevante, com produção de carne e leite.
- Indústria: Alcobaça possui uma base industrial forte, especialmente no setor da cerâmica, como a produção de azulejos e outros produtos cerâmicos, nomeadamente em cerâmica de barro vermelho, faiança e cristalaria e, ainda, a indústria de moldes para plásticos. Também é bastante relevante no fabrico de cimento.
- Turismo: tem um papel importante na economia local, sendo impulsionado pelo Mosteiro de Alcobaça, que é Património Mundial da UNESCO. A cidade recebe visitantes pela sua história, bem como pela arquitetura e pela proximidade com outras regiões turísticas, como a Costa.
Gastronomia
A gastronomia de Alcobaça reflete a riqueza agrícola e a tradição culinária da região.
Alcobaça é famosa pelos seus doces tradicionais, muitos dos quais têm origem nos conventos. Os mais famosos são as Cornucópias, recheadas com ovos moles, as Delícias de Frei João e o Pudim de ovos dos frades do mosteiro de Alcobaça. Outro doce tradicional é o pão-de-ló de Alfeizerão, uma versão do pão-de-ló que é leve e fofo, com um toque de doçura.
Chanfana, (carne de cabrito cozinhada com vinho tinto e temperos) também é um dos pratos mais apreciado em Alcobaça.
Outro prato típico da região de Alcobaça é o frango na púcara (frango guisado aos pedaços com bastante molho de receita secreta, mas que inclui cebolinho), acompanhado de arroz branco e batatas fritas.
O licor de ginja de Alcobaça é também muito apreciado pelos visitantes da cidade, tendo vindo a ser produzido desde 1930.
Frutos secos e frutas secas hoje em dia muito consumidas, a cidade e a região são produtoras de maçãs, peras e frutos secos, que são utilizados tanto em sobremesas quanto em pratos salgados. O bolo de maçã é uma das sobremesas típicas que pode ser encontrada em várias pastelarias.
Peixe e marisco: Alcobaça não está longe da costa, por isso pratos com peixe fresco e mariscos, como bacalhau e amêijoas, são também comuns na culinária local.
Azeite e o vinho: a região é conhecida pela produção de vinho e de azeite de qualidade, usado em muitos pratos tradicionais.
Todos os anos decorre uma Mostra de Doçaria Conventual e Tradicional que, para além de Alcobaça, conta com representações do país e do estrangeiro.
