Concelho, História e Património

A Nazaré é uma vila portuguesa que tem sede no município da região oeste e está situada na província histórica da Estremadura e no distrito de Leiria. A freguesia teve a designação de “Pederneira” até 1912, ano em que, por lei, o topónimo foi alterado para “Nazaré”. A antiga freguesia da Pederneira teve foral em 1514, dado por D. Manuel I e esteve integrado nos coutos de Alcobaça. A Pederneira, atualmente um dos bairros da vila da Nazaré, mantém ainda o edifício dos antigos Paços do Concelho, o pelourinho, a igreja Matriz de Nossa Senhora das Areias e a Igreja da Misericórdia, como testemunhos da sua antiga condição de vila sede de concelho.

O topónimo “Nazaré” está intrinsecamente ligado à Lenda de Nossa Senhora da Nazaré.

Ao longo do século XX, a Nazaré evoluiu progressivamente de uma aldeia piscatória para uma aldeia dedicada ao turismo, tendo sido um dos primeiros pontos de interesse turístico internacional em Portugal. A indústria do turismo é hoje uma das principais empregadoras da vila. As ondas gigantes da Nazaré, na Praia do Norte, ganharam fama mundial e já estão inscritas no Livro do Guinness pelo surf. É hoje impossível falar da Nazaré sem referir o recorde mundial da maior onda já surfada (entretanto já ultrapassado) estabelecido por Garrett McNamara, na Praia do Norte, em novembro de 2011. Devido à projeção mundial que têm as ondas gigantes da Nazaré, a vila tornou-se na anfitriã dos maiores campeonatos internacionais de surf e recebe muitos desportistas dessa modalidade, assim como milhares de curiosos e de turistas que vêm apreciar as suas corajosas demonstrações.

O Sítio da Nazaré é um dos pontos mais atrativos da vila da Nazaré e está intrinsecamente ligado à lenda de D. Fuas Roupinho, que mandou erigir uma Ermida em honra de Nossa Senhora da Nazaré, a Ermida da Memória.

O Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, de estilo barroco, foi mandado construir pelo rei D. Fernando, o “Formoso”, em 1377, tendo sido reconstruído no final do século XVII, devido ao aumento do culto a Nossa Senhora da Nazaré.

Lenda da Nazaré

Em 1182, D. Fuas Roupinho perseguiu um veado até ao topo de uma falésia na Nazaré. Percebendo o perigo, invocou a Virgem Maria e o seu cavalo estacou milagrosamente, salvando-o. Em agradecimento, mandou construir a Ermida da Memória sobre a gruta onde se venerava a imagem da Nossa Senhora da Nazaré. A imagem, trazida para a Península Ibérica em 711, tornou-se objeto de grande devoção. No século XVI, o santuário foi ampliado e permanece local de peregrinação.

Praia Nazaré

A Praia do Norte

O mar da praia do norte é um dos locais mais apreciados por surfistas de todo o mundo que ali ocorrem para apreciarem as gigantes ondas que se formam no conhecido “Canhão” da Nazaré, o maior desfiladeiro submerso da Europa com uma extensão de 200 quilómetros e que chega a atingir os 5000 metros de profundidade.

A sua cabeceira, que se encontra a menos de um quilómetro da costa, afeta as características da ondulação quando ela apresenta com uma incidência de oeste dando origem às enormes vagas.

Uma dessas ondas, com 23,80 metros de altura, surfada pelo havaiano Garrett McNamara em novembro de 2011, foi galardoada com o prémio de “Maior onda de 2011” no âmbito dos Billabong XXL Global Big Wave Awards.

O record de McNamara foi, entretanto, já ultrapassado. Acredita-se que o atual record pertença ao norte-americano Alessandro “Alo” Slebir, que terá surfado uma onda de 32,9 metros, em 23 de dezembro de 2024. No entanto, esta medida ainda aguarda homologação.

Do alto do promontório do Sítio, podemos descer até à praia pelo Ascensor da Nazaré, um elevador mecânico que oferece uma notável viagem panorâmica. A caminho do Ascensor podemos ainda conhecer um dos recentes atrativos da Nazaré antes de descer para a Avenida Marginal.

Cultura

A mulher da Nazaré com as tradicionais sete saias faz parte da tradição nazarena. A explicação não é consensual, mas está intimamente ligada à faina: as nazarenas tinham o hábito de esperar os maridos e filhos, da volta da pesca, na praia, sentadas no areal, passando aí horas em vigília. Usavam as várias saias para se cobrirem, as de cima para proteger a cabeça e ombros da maresia e as restantes para tapar as pernas. As sete saias das mulheres e a camisa de flanela e barrete preto dos homens atraíram, durante os anos 50 e 60 do século XX, nomes como Lino António, Jorge Barradas, Stanley Kubrick ou Cartier-Bresson, que documentaram, em pintura e fotografia, o dia-a-dia do povo nazareno.

Artesanato

O artesanato nazareno também é caraterístico e singular e relaciona-se com o mar e com as atividades piscatórias. Pelas ruas encontram-se as bonecas e bonecos vestidos com o traje tradicional nazareno e são ainda frequentes as coloridas miniaturas de barquinhos de madeira, pintados à mão, com os mais diversos objetos decorados com conchas, búzios e outros tesouros marinhos.